Na última quarta-feira, 10, a mãe Cristina Zelma Mônica, compartilhou um relato de sua filha de um possível caso de racismo que ocorreu em Pedras Grandes. Segundo conta a mãe, a estudante de 13 anos foi vítima de discriminação racial dentro e fora da sua escola, tendo seu cabelo cortado por uma colega. O relato foi feito em vídeo e compartilhado no reels do Instagram. Veja acima:
Entenda o ponto de vista
Segundo conta a Cristina no vídeo, sua filha estava na aula e uma das colegas, também de 13 anos, cortou as tranças dela. Quando a menina perguntou “por quê?” a outra disse: “Quis cortar, porque o cabelo de negro é ruim”. Então sua filha foi à professora para pedir para falar com a secretaria, momento a mesma disse para sentar-se e se acalmar. “No mesmo dia, a menina jogou a carteirinha da minha filha no meio do mato. Até que no dia seguinte, aconteceu o mesmo incidente no ônibus escolar e minha filha chegou chorando, aí me contou”, relata a mãe no vídeo. Na terça-feira, dia 9, quando a filha chegou novamente, pediu para a mãe tirar as tranças, porque ela não as queria mais. O vídeo que repercutiu, gerando revolta e comoção entre os seguidores e viralizando na plataforma.
O outro lado da história
Uma fonte ligada à escola, que preferiu não se identificar, entrou em contato com o HC Notícias e negou que o caso trate-se de racismo. “As meninas são inseparáveis e o que aconteceu não foi bem como o relatado”, contou. “Após o ocorrido, a escola chamou a mãe das duas meninas na escola numa reunião, no entanto a mãe que fez o vídeo não apareceu”, contou ela. Já quanto ao cabelo cortado, segundo a fonte, não teria sido como o mostrado. “Foi o aplique das tranças cortado, não o cabelo natural. Nem mesmo aquele tamanho mostrado em vídeo”, relatou. O caso está sob investigação e irá para a Justiça.
Rapidamente, após o viral do vídeo, o caso foi atendido pela instituição Novo Impulso, que tem o objetivo de gerar novas conexões, oportunidades, impulsionamento e a defesa da sociedade negra brasileira, nas áreas da Educação, Empreendedorismo, Política, Economia e inserção no mercado de trabalho. O presidente estadual da rede, Paulo César Lopes, conversou com o HC Notícias sobre o caso em Pedras Grandes, que está sendo acompanhado de perto:
“O que ocorreu em Pedras Grandes foi bem emblemático para a nossa região, eu diria que talvez para o estado de Santa Catarina. Eu avalio que a falta de um maior entendimento do que é o racismo ou a injuria racial ou seja; daquilo que pode causar para o componente (pessoa) que recebeu a ofensa ou a ação preconceituosa é bem preocupante”, conta ele. O presidente destaca que depois de centenas de anos da abolição da escravatura, o racismo está escalando níveis altos em nossa região, estado e país. E atribui a isso uma causa:
“Acredito que o problema seja uma falsa ideia que tá tudo bem. Que o racismo não existe ou é coisa da cabeça de pretos. Sinto que existe um negacionismo por conta de alguns em nossa sociedade. Eu pergunto: Será que nossos agentes públicos estão capacitados quando se deparam com uma situação dessas? O que estão orientados a fazer? Quem os capacitou? Será que existe uma preocupação dos governantes? O que está sendo feito para proteger nossas crianças de situações como está seja de quem foi o opressor ou quem foi o oprimido? Acredito que essas perguntas merecem respostas”, completa ele.
Sobre a Novo Impulso
Tem muita gente que faz a roda do Novo Impulso girar, com coordenadores nas principais cidades de SC, profissionais de várias áreas e cores. A instituição atua também na assessoria e consultoria de empresas e instituições Publicas ou privadas para implementação de Politicas de Ações Afirmativas Governança, Complience. As empresas estão buscando implementar a diversidade étnico racial em seus quadros, bem como serem um agente para o alavancamento da sociedade negra.
Por HC Notícias





